A saída, onde fica a saída?

A saída, onde fica a saída?

A saída, onde fica a saída?

Por Edgard de Oliveira Barros 05/08/2016 - 08:28 hs

Sem querer ser chato, mas sendo, me sinto obrigado a lançar no ar a pergunta que não quer calar: alguém aí da distinta plateia sabe onde é a saída?
É preocupante. Eu vejo espiões em tudo quanto é lugar, tanto que o país parece até uma ilha cercada de câmeras por todos os lados, cantos e postes, e, no entanto, só não se tem indicações de saídas. Estou me referindo às câmeras que as ditas cujas autoridades implantaram em tudo quanto é muquifo por aí, em tudo quanto é rua, avenida ou sumidouro tentando localizar incautos motoristas infratores para poder multar. Reconheça-se que, por sinal, obraram muito bem...
É de se lamentar, no caso, que não tenham instalado câmeras também nos palácios reais ou federais, estaduais e municipais para que elas, as câmeras, pudessem mostrar para esse povo, cheio de infratores de leis de trânsito, o que os infratores de colarinho branco, alguns até sem colarinho e sem um pingo de vergonha na cara fazem no interior desses palácios de governos todos, locupletando-se inclusive com os dinheiros das tais multas. Isso aí.

“...multando e roubando...”

Repito: alguém sabe alguma coisa sobre a saída? Sim, onde fica a saída, ou pelo menos como é que se sai desse estado de coisas? As câmeras estão todas por aí e eu insisto em dizer que não são só câmeras multadoras, ou apenas mostradoras mesmo, apresentando um espetáculo real, em todos os sentidos, e por ser coisa de rei, como se vê nas tais das Olimpíadas criadas para saudar os deuses, reis ou sei lá quem fosse esse alguém que mereceria essas oferendas todas, os tais Jogos Píticos, em Delfos, os Ístmicos, em Corinto, e os Olímpicos, em Olímpia, meu Deus, quanta baboseira. E tudo aquilo deu nisso que se vê ou está se vendo nas TVs não só daqui como na tal da urbi et orbi, ou seja, no Rio de Janeiro e adjacências, fiquemos por aqui, pois aqui é mais perto.
Onde está a saída, alguém me responde? Toda essa grana gasta desde que o Lula, o tal de Paes e a caterva toda foram não sei onde para disputar a honra de ter essa festança e o Rio de Janeiro ganhou a parada. Beleza pura o Rio sediando tudo isso. Apesar da violência não tão mostrável nem invejável o Rio de Janeiro continua lindo, e ficou até mais lindo ainda depois de tanta obra obrada na calada da noite e em plena luz do dia, visto que tem roubo que não tem hora, só tem vez. Pois é.

“...o roubo da hora e da vez...”

Nada contra a Olimpíada, afinal de contas não se tem mesmo coisa melhor para fazer do que ficar vendo a festa, já que o país nunca teve tantos desempregados como hoje. Principalmente, dizem, depois de ter parado aos poucos nas mãos do proclamado Lula, e estacionado cruelmente nas mãos e pés da condutora Dilma. Falo dos pés para lembrar das patadas que a mulher dava, especialmente na língua portuguesa noves fora nos raciocínios ilógicos que nunca tiveram lógica nenhuma. O país parou e a Dilma nem viu. Desempregados, estamos livres para assistir tudo pela TV.
E as Olimpíadas estão aí para nos servir, nas câmeras, nas telas e nos vexames que o poderoso Paes dá. Eu disse Paes e não país, se bem que, no fundo, no fundo e até mesmo no raso, as trapalhadas e safadezas desse Paes transparecem e explodem na cara do mundo inteiro, que fica admirado com a beleza da falta de vergonha na cara dessa gente que construiu tudo aquilo, toda aquela grandeza, gastando toda aquela grana, embolsando parte do que sobrou ou do que iria sobrar, se não tivesse havido tanta roubalheira. Mas tudo isso está aí e a gente pode ver como se estivéssemos todos num grande estádio, num grande ginásio, num grande teatro da vida.
E não se pode deixar de dizer que tudo isso é lindo e seria consagrador se pudéssemos, claro, dispor de acomodações tão modernas e tão fraternas quanto as que foram erguidas no Rio de Janeiro para o evento e essas acomodações pudessem abrigar, não só os olímpicos disputantes das provas todas, mas os pobres coitados que tiveram o azar de ficar doentes não só no Brasil inteiro, como também e especialmente no Rio de Janeiro.

“...os doentes especiais do Rio...”

Incrível como os governantes locais estaduais e federais não tenham se lembrado que, antes de tanta obra tão bonita, tantos prédios tão bem construídos (será que foram mesmo tão bem construídos assim? E a Odebrecht? E os vazamentos de água? E o encanamento? E a parte elétrica que nunca trazia a luz? Era tudo para australiano ver? E os cangurus do Paes? Meu Deus, o Paes é um Lula disfarçado e nem pinta a cara, pode?). Pois é, ao mesmo tempo em que construíam tanta coisa linda, bem que poderiam ter construído mais escolas, por exemplo. Os programas de TV, inclusive o Fantástico (não é fantástico?) não se cansam de mostrar crianças aprendendo a escrever e ler em casebres de pau-a-pique nas quebradas do sertão ou nos descaminhos das cidades maiores ou menores.
Poderiam também ter aplicado algum recurso (não deles, claro, nem o que eles levaram, também claro, mas um resíduo de recursos para construírem hospitais lá mesmo, no Rio de Janeiro). As TVs inclusive a Globo, como se viu e se vê, tem mostrado frequentemente a situação da saúde no Rio de Janeiro de janeiro a janeiro. Não se tem abrigo para os doentes, só se tem doentes sem abrigo.

“...abrigos sem abrigo...”

Mas, chega de tragédias, falemos das Olimpíadas que estão acontecendo ricamente num país que não tem dinheiro nem pra pagar o aluguel de tornozeleiras eletrônicas que deveriam ser usadas nos ladrões municipais, estaduais, federais e petrolais que levaram muito, mas muito e põe muito dinheiro nisso, dinheiro que daria para promover outras cem Olimpíadas pelo menos, ou mais que isso.
Na verdade está tudo muito bonito. Pena que tinha que vir um chato, uma besta como eu para estragar tanta beleza com uma pergunta tão simples e tão cretina como a que eu fiz: alguém sabe onde está a saída para o Brasil? Respondam rápido, pois o deslumbre da Olimpíada vai passar e o desconforto físico e moral vai voltar. Insisto: alguém do distinto público sabe onde está a nossa saída?
Um cobertor de orelha
Vem aí, no próximo sábado, dia 13, às 20h30, a terceira edição do festival de inverno mais charmoso, independente, solidário e alternativo da cidade de Atibaia, o Cobertor de Orelha, da Incubadora de Artistas. Vai ter vozes de Rita Marleen e Daisy Deichmann, guitarra de Marcelo Fermino Gonçalves, piano de Momoko Kiriya, sax alto e flauta de Juliene Bellingeri, com Villaça Villa no contra baixo acústico e arranjos de standards inesquecíveis. Participação especial do convidado Victor Toledo na gaita. A entrada para cada uma das atrações será o ingresso solidário, composto de um item de alimentação e um item de higiene (um quilo de arroz, ou feijão; um pacote de macarrão; um quilo de farinha; 1 litro de óleo ou pacote/lata de leite em pó, além de itens de higiene. Esses itens deverão ser trocados com antecedência, a partir da próxima semana, na sede da Incubadora de Artistas (Praça Claudino Alves, (praça da matriz) 78 - Centro - Atibaia - SP). Maiores informações pelo site: http://www.incubadoradeartistas.com.br/
Comunico que já estou nas filas. Primeiro na fila para conseguir o ingresso, depois na fila para entrar. E, claro, na fila do aplauso. Vai ser tanta gente aplaudindo que eu já estou batendo palmas desde agora.