Enfim, o fim. Ou o recomeço

Enfim, o fim. Ou o recomeço

Enfim, o fim. Ou o recomeço

Por Edgard de Oliveira Barros 19/08/2016 - 08:18 hs

Como dizem por aí, até sem muita razão, ou sem razão nenhuma, o governo é uma grande família. Lamentavelmente nós, a gente do povo, não fazemos parte dela. Ou, piormente (existe isso?), pelo menos não fazemos parte da melhor parte, ao contrário, somos absolutamente solidários na parte pior. Todo mundo costuma dizer que a pior parte é a gente ter que pagar por tudo. Mas eu nego. O pior do pior é a gente pagar e não receber nada em troca. Você aí, do outro lado, pense bem, o presidente (felizmente essa coisa de presidenta já é quase passado), o presidente, dizia, não só trabalha em um palácio como mora em outro palácio.

No tal palácio que dizem ser a sede ou o centro do governo, o presidente (graças a Deus, repito, estamos voltando a ter presidente e não presidenta...), o presidente tem pelo menos umas cem, talvez duzentas pessoas ao seu lado cuidando do seu dia-a-dia e até das noites. Tudo para atender as vontades e as necessidades mínimas do ocupante do trono. Inclusive, claro, algumas vontades e necessidades básicas, eu diria até fundamentais, como não? Aquelas que também se resolvem em um outro “trono”, coisa que tem que ser despachada de forma isolada, pelo próprio ocupante, sozinho mesmo, se é que me entendem (ou será que eu preciso explicar um momento tão íntimo como esse?). Pois é. Tirando essas necessidades tão necessárias, praticadas duas ou três vezes ao dia no tal do trono, vá lá que seja, talvez quatro ou cinco em alguns casos, dependendo do que se come ou do quanto se beba, tudo o mais que o tal presidente faz (para não dizer “realiza”) exige a presença dos tais cem ou quase duzentos neguinhos que ficam ali de prontidão.

 

“...uma prontidão geral nessa hora...”

 

Só aí e só por isso me vêm à memória aqueles filmes que retratam as grandes cortes, a realeza e coisas do gênero. É quando me lembro dos auxiliares e coadjuvantes reais usando aquelas cabeleiras brancas e aqueles trajes de mordomo dos séculos muito mal passados, quase crus, pois era realmente uma crueldade tanta gente vivendo tanto de tanta miséria do povo. Eu me lembro até de cenas de filmes ou personagens de Vitor Hugo, aquele, e tantos outros narradores nas grandes produções hollywoodianas, coisas do tipo “Os Miseráveis”, daí pra frente ou pra trás.

Só que isso não é nada, ou seria apenas o começo. É pau, é pedra é o fim da picada, irmãos, o que a gente que é povo, e do povo, tem que sofrer para pagar tanta coisa bonita e cara que esses caras todos comem e usam por aí, roubalheiras à parte. Olhem que por enquanto estamos falando ou ralando só o substancial, o que está na lei. Na hora que chegarmos aos fora-da-lei estaremos fritos, mortos. Ou presos. Tirando então os palácios reais (quase eu escrevi “palhaços reais”...), mas, dizia, tirando os palácios reais, têm os palácios da corte. “E a corte o que é?” - perguntaria o palhaço de plantão, como se estivéssemos (e não estamos?) num espetáculo circense, sim, e a corte o que é? A corte é formada por pessoas geralmente sem cortesia nenhuma, que têm o rei na barriga e se julgam donas do carrinho da pipoca.

 

“...os cumpanhero do Senado...”

 

São os chamados senadores, para não dizer outra coisa. O que são os senadores? São aquilo que eu já falei, os caras que se julgam donos de todo o capim gordura existente na praça. Usam e abusam dos nossos direitos e tortos ficamos todos nós pagando um horror de grana para essa gente que tem, no mínimo, uns quarenta assessores cada um, para não dizer aspones, expressão que muitos, ou quase todos sabem como se traduz e eu não vou traduzir aqui, pega mal, não acha? Indecência também tem hora.

E quem paga os aspones dos caras? Ora, nosotros que nos queremos tanto. E além de tudo, os tais senadores se comportam como os antigos membros do senado romano, o Catilina, por exemplo, lembra do Catilina? Esse enchia mesmo o saco do mundo. “Quousque tandem abutere Catilina patientia mostra?”, dizia o tal de Cicero, acusando o paspalho do Lucio Sergio Catilina, cônsul romano, de pretender derrubar o governo republicano e apoderar-se do poder e das riquezas, juntamente com alguns apaniguados. Pois é, naquele tempo já era assim, um queria o lugar do outro e o povo pagava, como nós pagamos os caras todos e seus asseclas e apaniguados. Até eu gostei dessa da expressão: “apaniguados”.

 

“...e ainda tem mais...”

 

Tirando o Senado vem a Câmara. Senadores e camaradas, perdão, deputados, além de vereadores e outros que tais, noves fora quase todo mundo do governo, todos têm carros à porta, todos têm aviões às ordens nos aeroportos do Brasil, todos têm oitocentos milhões de funcionários públicos e privados, fora os caras do cafezinho, afinal de contas, com este barulho não há quem dance ou fique acordado sem tomar um cafezinho da hora. E quem serve? Os servidores. E quem paga? Ora, os tontos, os “nosotros” que nos queremos tanto servidos ou citados no começo desta história que parece mais aquela “História do Sem Fim”, que até virou filme provocando lágrimas chorosas nas plateias do mundo inteiro. O povo paga mas chora.

Sim, o povo do mundo inteiro, porque essas coisas de tomar e gastar o dinheiro do povo são eventos mundiais e complexos, afinal, alguém tem que pagar pela farra, é ou não é? E você já reparou como são lindos os palácios onde operam, perdão, onde dizem que trabalham esses caras? Maravilhosos todos. Aqui, ali, lá, acolá, no mundo inteiro, são lindos os palácios. E os caras de pau ainda têm a coragem de dizer que aquilo tudo ou aqueles prédios todos, aquelas riquezas todas são “as casas do povo”. Do povo? Tente entrar lá, mano... Fora que cada um desses caras mora em casa ou apartamento de alto luxo também tudo pago pelo povo que, claro, não tem acesso aos tais apartamentos. Quando muito paga até demais para que se construa um monte de casebres por aí em programas de auditório chamados Minha Casa, Minha Vida, que alguns até já traduziram como sendo “Minha casa, Minha dívida”, pois o sujeito paga, paga, paga e paga sem ver o fim da conta. Ah, ultimamente pode até renegociar a dívida. Assim, ao cabo de trinta anos, pode-se renovar por mais trinta. Tá bom ou quer mais prazo?

Mas, enfim, como dizem os guardas de plantão, o povo é mesmo o dono de tudo. E já que oficialmente as Olimpíadas terminam neste final de semana, vamos nos preparar para as contas que vão pintar nos carnês de consumo de todos nós, aqueles que alguns chamam de impostos. Será que um dia o povo vai botar toda essa macacada pra correr feito um Bolt?

Não, não vai. Não vai nada mesmo. O povo é apenas o palhaço desse circo que é só deles.