O ciúme que transborda

O ciúme que transborda

O ciúme que transborda

Por Dra. Regiane Glashan 02/09/2016 - 08:19 hs

Dra. Regiane Glashan*

Por me dedicar ao atendimento de casais, sempre recebo artigos, que falam sobre o relacionamento humano. Outro dia, uma cliente trouxe uma matéria, que ela encontrou num site de buscas, que eu também achei muito interessante, e que gostaria de dividi-lo com os leitores. Afinal quem nunca teve ciúme?

“Alguns consideram que o ciumento tem algo como um "demoniozinho" escondido dentro da mente, que lhe diz, que está sendo traído, ou, que não seria tão importante, como gostaria de ser para o outro.

Ciúme é sinal de amor ou de desrespeito? A resposta é simples: Depende.

Na realidade ciúmes é como tudo na vida, se tiver pouco pode fazer falta, se tiver demais pode “transbordar”. Um pouquinho de ciúmes significa, para algumas pessoas, que está sendo valorizado, mas quando o ciúme passa de um certo limite, pode comprometer o relacionamento. Sabemos que o ciúme passou do limite, quando começa a provocar prejuízos na sua vida, ou, na vida das outras pessoas.

Ciúmes  patológico ou  doentio

Uma pessoa pode avaliar a possibilidade de ter entrado no nível de ciúmes patológico, o qual precisa de ajuda psicológica, quando ocorrem prejuízos de alguma forma, por exemplo, perde tempo em seu trabalho querendo saber por onde anda e o que a pessoa de quem sente ciúme está fazendo; liga para monitorar os passos, tal qual um detetive; perde o sono por ciúmes, acorda no meio da noite pensando “o que será que ele (ela) está fazendo?”; fica nervoso (a) quando não localizou o objeto de ciúme, etc.

O ciúme seria patológico, quando a rotina é modificada e prejudicada devido ao ciúme, quando não há provas concretas para tal desconfiança, não há indícios, de que a pessoa possa estar sendo traída e ainda assim esta pessoa sofre com a possibilidade de traição.

Todo ciúme é possessivo? Existe ciúme normal?

Não gosto muito da palavra "normal", ela pressupõe, que qualquer coisa fora do considerado normal seria anormal ou doentio, mas podemos falar do ciúme, que não causa prejuízos, e, que seria bem recebido - este costuma ser transitório, a pessoa tem uma sensação de ciúmes hoje, mas não mantém a ideia fixa. O ciúme. O ciúme não prejudicial costuma ser específico, ou seja, a pessoa sente ciúmes de uma situação específica, e não de toda e qualquer situação. Exemplo: sentir ciúmes de uma pessoa, ou de um lugar aonde o outro vá, e não de todo e qualquer lugar. O ciúme não prejudicial normalmente é baseado em fatos. Ou seja, a pessoa tem ciúmes quando acontece alguma coisa concreta, como um telefonema, ou um presente que o outro tenha recebido, algum indício real de que algo possa estar “roubando” a pessoa amada. No ciúmes não prejudicial, o maior desejo é de preservar o relacionamento. A pessoa quer ficar bem com o outro. Quando não se consegue estabelecer o equilíbrio sozinho pode-se contar com a terapia.

Como posso saber se sou exagerado em meu ciúme?

Um dos caminhos poderia ser observar, se você tem necessidade de ter controle total sobre os sentimentos e comportamentos do companheiro (a), sofre com isso, acaba tendo comportamentos de risco. Enfim, se você está dizendo coisas do tipo: “Você fez a barba hoje porque vai encontrar com outra” ou “Você chegou atrasada porque estava com o outro”. Esse tipo de frase pode ser um indicador do quanto o ciúme está fora de controle e causando sofrimento.

O que provoca ciúmes?

Normalmente o pensamento, a interpretação de que o relacionamento está ameaçado quanto à estabilidade ou quanto à qualidade. Ou seja, ciúme aparece quando se acredita que o relacionamento foi abalado e corre risco. Ciúmes é como você “interpreta” a situação, não necessariamente se refere a fatos.

O que tranquiliza ciumento?

Para alguns, nada tranquiliza, nada resolve suas dúvidas, nada ameniza suas suspeitas, se ele não pegou nada de errado acha que é porque não procurou direito. Quanto mais investiga mais dúvidas tem, nada traz paz. Mesmo quando o outro conta tudo o que fez durante o dia, o ciumento pode querer mais detalhes.

Terapia ajuda?

Ciúmes Patológico pode ser trabalhado em terapia. É possível encontrar ajuda de um terapeuta, psicólogo, psicanalista e psicanálise, por exemplo, quando o sofrimento ultrapassa certos limites e causa sofrimento a ambas as partes.” 

(http://www.marisapsicologa.com.br/ciumes.html)

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br