Cadê o “black bloc” que estava aqui?

Cadê o “black bloc” que estava aqui?

Por Edgard de Oliveira Barros 09/09/2016 - 10:24 hs

Bendito seja o sujeito que inventou e todos aqueles que consagraram a expressão: “Perguntar não ofende...”. Maravilhosa, ela nos perdoa a todos e nos livra dos males maiores das inquisições sempre possíveis e passíveis da justiça, amém. Antes dela o sujeito alvejado pelas tais perguntas ditas comprometedoras sempre poderia reagir e se declarar ofendido quando alguém lhe perguntasse: “O senhor fazia parte da quadrilha do petrolão?” (é só um exemplo, claro). Quando a gente coloca a “partícula apassivadora” - “Perguntar não ofende...” - já está dando uma chance ao indivíduo que pode responder: “Imagina!”, quando, na verdade, todo mundo sabia que o calhorda fazia parte sim... Com o “perguntar não ofende”, não se está acusando, e o indigitado nem pode recorrer à Justiça dizendo-se ofendido. O “Perguntar não ofende...” se tornou uma verdadeira tábua de salvação para quem tem certeza de alguma coisa, mas precisa apurar e confirmar antes de afirmar “urbi et orbi” (que nós, os caipiras latinos traduzimos como “para a cidade e para o mundo...”).

 

...não se ofenda...”

 

Não é fácil. Jornalistas ou perguntadores têm sempre que tomar cuidado para não se complicar e levar processo pela cara. Os caras roubam e a imprensa é a culpada por acusar. “Sem querer ofender, gostaria de perguntar se...” e tal e coisa. Expressões como essas se tornaram mesmo a redenção da gente. Tá na cara que o sujeito é ladrão, tá na cara que é bandido, todo mundo vê e sabe que é político dos mais safados, dos piores, sujeito sem princípios e sem escrúpulos, o mundo inteiro já viu e ouviu que o cara meteu a mão, se aproveitou do cargo, tapeou, levou tudo no bico doce. Tá tudo explicito, mas não se pode dizer abertamente, com todas as letras porque os pilantras fazem tão bem feito que até o malfeito fica perfeito. E quem acusar e contar a história corre o risco de levar o tal do tremendo processo pela cara.

Claro que não se pode generalizar, mas a vontade de chamar essa gente na chincha é iminente. Não faça isso, apelidar muitos desses caras que andam por aí de ladrões ou safados, embrulhões, enganadores, tomadores de propinas, aproveitadores do cargo e situações iguais dá processo, mano. Dá processo e acaba sobrando para o lado mais fraco, sendo que o lado mais fraco é sempre o lado da gente que acusa, geralmente, a imprensa. Tem que provar. E não é fácil provar que o sujeito “levou o dele”...

 

...escola da malandragem...”

 

Além de ser prática mundial os métodos da pilantragem são sempre atualizados, aprimorados e aperfeiçoados neste mundão de Deus, especialmente nas Américas aqui de baixo, nos países mais pobres da África e da Ásia e por aí vai. O povo não se aplica, o povo não se explica, o povo não corre atrás, não se aperfeiçoa, não estuda, não lê não se importa. Terra do sol, do futebol, do sal, do suor, das garotas, não só de Ipanema, mas de tantas outras praias. Enquanto isso os homi si aproveita dinóis.

Estou falando para deixar claro que não concordo nem um pouco com toda essa baderna que vem ocorrendo no país fruto da destituição da Dilma. Não vou discutir se ela aprontou ou não aprontou, se mereceu ou não mereceu o tal do “impichi”, como diria o povão lá das quebradas. O fato é que ela foi julgada em todas as esferas determinadas pela Constituição, a Lei Maior, que diz e indica quem é quem, o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve ser feito. Ao que se sabe, ao que se viu e viveu, até angustiantemente, todos os princípios, todos os itens, todos os artigos, todos os detalhes previstos foram cumpridos. Em todas as instâncias possíveis e “impicharam” a mulher.

 

...de acordo com o desacordo...”

 

Claro que nem todo mundo ficou satisfeito com a parada. Como sempre todo mundo é contra todo mundo na medida em que todo o outro mundo não concorda com aquele mundo que também é contra o mundo, aquele, que é contra o mundo do outro e assim vai. Da minha parte, confesso que não tenho certeza de absolutamente nada no mundo. Às vezes nem concordo e até discordo de mim mesmo, das próprias coisas que penso. Já viu discordância desse tamanho?

Não duvido que você também não concorde com isso tudo que eu estou dizendo. No entanto, cuidado: se você não concordar comigo pode estar errado. Mas quem estará errado, eu ou você? E alguém estaria certo? E esse alguém que está certo de que está certo estaria realmente certo? É certo ou errado isso tudo o que eu estou dizendo? Foi certa ou errada a decisão de se “impichar” a Dona?

É por isso que até concordo com o fato de muita gente ir para as ruas protestar contra o protesto da nação que terminou no tal do “impichi”, como dizem os caipiras. Eu mesmo fui pras ruas quando o povo pediu o tal “impichi”. E não me arrependo. Andei, cantei, vaiei e, depois, sem mais nem menos, quando a passeata acabou, vim pra casa e estávamos conversados. Mostramos pros metidos a mandantes que éramos contra. Foi o grito de alerta e as coisas cresceram dando no que deu.

 

...não é o que está aí...”

 

No momento atual tem muito nego indo pras ruas, e agora vão contra o “impichi”, nada mais justo. O que não pode é essa baderna, essa quebradeira, as agressões, e aí não é protesto, aí vira caso de polícia. Sem querer sou obrigado a voltar a usar aquela velha saída do jornalista: “Perguntar não ofende, senhores doutores, ou responsáveis pelo capim gordura de cada dia e pelo país: pode essa negada sair por aí quebrando tudo impunemente? Quando é que alguém mais responsável pouquinha coisa vai mandar baixar o cacete nos “black blocs”, nos baderneiros, ou que nome tenham? Eu falo dos que se fantasiam de gente ruim pra botar medo. Quem está pagando essa gente? Será aquele mesmo povo que já pagava nos tempos em que a Dona “impichada” e o partido dela mandavam?”.

 

Perguntar não ofende...”. E, então, não seria o caso de baixar o porrete ou colocar todos esses baderneiros em cana dura? Talvez até promover um acordo e mandá-los todos para Cuba, para a Bolívia, para a Venezuela ou essas quebradas do ramo para eles aprenderem que lá, nesses países citados como “tão livres”, e “tão sociais”, nego que faz uma baderna dessas “protestando” contra os que mandam nem vai preso, vai muito além, some. Somem com ele no além. Engraçado, não é? Somem pra ninguém mais encontrar. Nego vai falar com Deus. Ninguém quer isso por aqui, mas alguma coisa precisa ser feita. E rápido. Tão rápido como quem quebra uma vitrine de loja ou arrebenta e toca fogo numa coisa que não é dele...