Faça o que eu mando

Faça o que eu mando

Por Edgard de Oliveira Barros 23/09/2016 - 08:23 hs

Andei lendo por aí que o bicho homem já está quase descobrindo como foi que o universo surgiu. Ou até mais que isso, está descobrindo como é que se faz ou como é que se fez, e como foi feito para que tudo isso que já foi feito seja refeito à nossa imagem e semelhança. Não sei se me entendem. Para falar a verdade nem sei onde é que o tal do já citado bicho homem quer chegar. Com tantos problemas por aí, tanta fome, tanta miséria, tanta gente morrendo por causa de tanta gente que quer dominar tanta gente, acho que, de novo, o tal do cada vez mais bicho homem tinha mais é que se aquietar e procurar viver sem perturbar a vida uns dos outros.

Penso que o mal da gente é querer que todo mundo seja igualzinho à gente. Perdão, igualzinho à gente uma ova, o que a gente quer é que todo mundo seja como a gente, que goste das mesmas coisas que a gente gosta, que faça as mesmas coisas que a gente faz e, mais importante que isso, que faça exatamente do jeito que a gente faz ou faria. Em outras palavras, a gente quer que todo mundo seja exatamente como a gente, só que muito bem obediente em relação à gente, ou seja, só fazendo aquilo que a gente quer que seja feito. Honestamente, se essa gente toda não pensa exatamente como eu estou pensando agora eu diria que toda essa gente está totalmente errada... Não vá me dizer que você não pensa assim também. Pensa ou não pensa?

“...seja sincero e pense...”

Da macaca ou do macaco que caiu da árvore, como li um dia desses, a tal de Luci ou coisa parecida, ao homem que cria e pilota enormes jatos transcontinentais ou transmundiais, foguetes que vão pelo espaço chegando na Lua e em Marte e daqui a pouco em Júpiter e outras paragens, vamos admitir que foi um pulo e tanto. E, no entanto, ao lado de tanto avanço, a cada dia que passa morre não sei quantas mil pessoas lá na Síria, lá no Afeganistão ou na África, continente mãe, porque uns que se julgam mais poderosos que os outros, os tais uns que pensam que só eles estão certos, querem fazer as coisas à sua maneira. Os outros não podem passar de puros cordeirinhos ou bois de piranha, bichos que vão pro abate.

É bomba daqui, é bomba dali, tiro daqui e dali, nas ruas do Rio e de São Paulo, fora todas as outras cidades desunidas, tudo porque um imbecil pensa que é mais e muito mais que o outro imbecil que pensa que ele sim é que é mais que o idiota que não pensa igual a ele. Não, não me diga que você não pensa assim. Claro que nisso tudo tem até os bons sujeitos como você, e eu até me incluo fora dessa, como diria o outro, na medida em que estou só narrando e não mandando, mas tem sim bons sujeitos como você, que, diante das circunstâncias e para não viver brigando o dia inteiro, fora as madrugadas, acabam se aquietando e deixando o barco correr para ver onde vai dar, se bem que todo mundo já sabe que o fim é o mesmo, nem adianta chorar, torcida brasileira. Ninguém veio para ficar definitivamente aqui neste planeta, que eu quase chamaria de planetinha de merda chamado Terra.

“...que planeta é esse?...”

Se bem que a Terra, em si, ela mesma nem tenha nada com isso. Até nos deu a vida e nos sustenta nos dando o de comer. A terra seria a nossa herança, como dizia o título de um filme famoso. Mas o que eu queria falar mesmo é que o mundo é esse exibicionismo invulgar que se vê na TV que certamente só foi criada para as pessoas se mostrarem cada vez menos formosas, inclusive nos programas do meu cumpanhero Faustão. E quem não quer?

Eu fico olhando o Trump de um lado, o Osama, e não o Obama, o Osama é aquele que detonou as torres gêmeas, olho o tal de Bashar Al-Assad, assim ou assado, ou que merda de nome tenha o ditador lá da Síria, um cara que já está no poder há mais de 15 anos, sucedendo ao pai que ficou mandando bem mais que esses anos todos, vivendo do bom e do melhor enquanto o seu povo passa os piores momentos, numa guerra que não tem tamanho. A Síria era linda. Noves fora os tais de Afeganistão, Paquistão e outros ganistões com nomes tão complicados quanto à vida que se leva por lá porque uma meia dúzia de poderosos são iguais aos caras que eu falei no começo desta história, querendo que todo mundo pense e aja como eles e obedeça fielmente às suas ordens, ponto final e estamos conversados.

“...a Síria era linda...”

Neste momento estou com a cara do Putin na cabeça. E aí surge na tela da minha memória a cara de pau do Fidel Castro e seu mano velho de guerra, o Raul. Imagino também a cara do tal de Maduro. Ou do boliviano cocaleiro que não quero lembrar o nome. Nesse bolo todo, esse monte de gente querendo que a gente seja exatamente como eles e façamos exatamente o que eles mandam e do jeito que eles mandam. Quietinhos, como eles gostam. Enquanto isso, vai morrendo um monte de gente como nós. De fome, de tiro, de medo, de correria fugindo das balas, dos canhões, dos vagalhões e do diabo a quatro. Tem também aquele nanico gordinho que herdou do pai, outro safadão lá da Coréia do Norte e diz que tem bomba pra soltar. E solta bombas o canalha

É bem aí que me vem à cabeça aquela cena final do filme “Planeta dos Macacos”, o primeiro da série, lembra? Quando o Charlton Heston consegue fugir dos macacos dominadores, ao lado de uma quase macaquinha que ele arrumou e vai tentar recriar o mundo. Quando dá de cara com a cidade de Nova Iorque totalmente destruída pela guerra final, meio pelado, pois era assim que os macacos andavam, ele contempla a cena e diz a frase definitiva: “Eles conseguiram!”.

O bicho homem, todo cheio de vontades de mando e comando tinha conseguido destruir o mundo em que vivia. Pensei até em procurar uma aldeia de macacos para me antecipar ao fim deste filme, mas, não sei quem foi que disse que os macacos são iguaiszinhos aos humanos. Mais que isso, foram os pais dos humanos e a nova macacada safada não deixou nem o universo em paz.