Não fale com estranhos

Não fale com estranhos

Não fale com estranhos

Por Dra. Regiane Glashan 21/10/2016 - 13:02 hs

Dra. Regiane Glashan*

Quem nunca falou para o seu filho: “Não fale com pessoas que você não conhece”; “Não aceite balas ou guloseimas de estranhos”; “Não aceite carona de quem você não conhece”; entre outras frases de preocupação.

Alertar os filhos é sempre válido, mesmo por que as crianças, em sua ingenuidade, tendem a confiar em pessoas mais velhas ou em pessoas que “vendem” uma imagem de credibilidade. Ninguém está dizendo, que seu filho precisa virar um antissocial de uma hora para outra. Apenas, que ele adote medidas de autoproteção. A melhor coisa é ensinar a criança a se proteger, quando você não estiver por perto, estamos falando em proteção e não em “neura”.

A melhor forma de proteger as crianças de pessoas desconhecidas, que possam causar algum dolo, é estipulando regrinhas básicas do tipo: quando eu ou um cuidador estivermos perto de você, você pode ser simpático e aceitar um diálogo, do contrário, evite ser empático com estranhos.

Não aceite passeios ou oferta de diversão de estranhos. Essas pessoas podem causar algum prejuízo a você. Solicite a ajuda de um adulto o mais breve possível, se preciso for, pratique, faça uma encenação, ou, faça um teatrinho da regra sugerida, até que você esteja segura de que seu filho entendeu sua solicitação.

Ensinar seu filho a se proteger não quer dizer causar pânico ou traumas na criança!

Catastrofizar uma suposta situação pode gerar trauma ou retração na criança. Alerte seu filho de forma lúdica, contando causos, fazendo um teatrinho com bonecos ou até mesmo inventando uma música sobre o tema. As crianças amedrontadas não agem, apenas reagem, e, a reação pode ser de estagnação.

Sempre que possível relembre as regras com seu filho, e, pontue positivamente, quando ele fizer o que você solicitou de maneira positiva. Não é por que ele deve ser precavido, que ele não pode ser amável e agradável com as pessoas, que são de seu meio, e, do ambiente social da criança (amigos, professores, familiares).

Como a criança pode saber se um indivíduo é confiável ou não?

Acredito que é muito difícil! Às vezes, até nós, adultos, nos enganamos com as pessoas que parecem ser confiáveis ou não. Por isso as regras são necessárias, e, enfatizá-las usualmente serve de precaução.

Evite amedrontar os pequenos com histórias aterrorizantes de crianças sequestradas, sumidas, assassinadas, ou, até com programas de televisão apelativos, que incentivem o medo ou o receio nos indivíduos.

Lembre-se, cumprimentar as pessoas é uma coisa (educação e simpatia), porém abrir a guarda é outra!

 

 

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br