Você fala sempre a mesma coisa!

Você fala sempre a mesma coisa!

Por Dra. Regiane Glashan 27/10/2016 - 21:57 hs

Dra. Regiane Glashan*

Atitudes repetitivas não são privativas de uma pessoa. Freud (pai da psicanálise) já havia descoberto que os humanos apresentam a tendência em repetirem atitudes/erros. Se repetirmos atitudes que nos machucam, por que o fazemos? A resposta pode parecer simples a primeira vista: não temos conhecimento delas.

Tenho observado muitos casais que vira e mexe tendem a cair nas mesmas armadilhas - nos mesmos erros. As discussões são sempre pelos mesmos motivos. Agem como um CD riscado.

As indiferenças e as acusações rodeiam os parceiros que sempre caem no mesmo lugar - parece que o repertório não muda!

Tenho a impressão que decoraram uma cena e não conseguem sair dela, mesmo que você tente apresentar novas formas de ver e de agir. Parecem “seres” programados para atuarem sempre da mesma forma.

Eu sei que você, leitor, deve estar pensando: mas que casal não tem suas discussões ou desavenças? Pequenos conflitos são esperados no cotidiano de uma relação. O que não pode ser tolerado é a inflexibilidade das partes e a não disposição para tentar mudar e usar “ferramentas” funcionais.

Durante os conflitos relacionais, o casal saudável tenta colocar o que sente para o seu parceiro, o que não aceita no outro e tenta aprumar novamente a relação. Amadurecem, desenvolvem novas habilidades relacionais e passam a conhecer melhor a si e ao outro. O que podem esperar de seu companheiro, até onde podem ir e o que pode realmente magoar a outra pessoa. Tornam-se comedidos nas palavras cortantes.

Quando não estabelecemos limites ao outro e não conhecemos nossos próprios limites temos a tendência em repetir, repetir e repetir, principalmente, os erros. Muitas vezes, deixamos que a paixão atue como um véu sobre a nossa visão. Não conseguimos ver claramente quem é o outro e o que podemos esperar dele. Quem somos nós e o que podemos esperar de nós mesmos.

A compulsão pelo erro ou por atitudes errôneas na relação está no inconsciente - na mente humana, e, em grande parte das vezes é impossível de controlar ou de detectar. É como se houvesse uma armadilha, na qual temos sempre a tendência em cair, mesmo sabendo onde ela está.

Querem um exemplo?

Existem casais que discutem sempre pelo mesmo motivo, brigam pelo mesmo motivo e nunca chegam a um acordo pelo mesmo motivo. Parece louco, não?

O que fazer para não cair mais na mesma armadilha?

Tornar consciente, pois quanto mais ciente de um fato formos, menor nossa tendência em dar de frente com a cilada e cair nela.

Muitas vezes, não conseguimos “dar cabo” de nossas compulsões pela repetição e precisamos da ajuda de um especialista.

Procurar ajuda não significa que somos fracos ou incompetentes para solucionar nossos próprios problemas. Procurar ajuda significa que alguém preparado pode, de fora do problema, ver coisas ou ações que não estamos podendo enxergar em um determinado momento de nossas vidas, e, que com competência e perspicácia pode remover o véu de nossos olhos e apresentar uma nova maneira de resolver e encarar os conflitos relacionais.

 

 

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br