Ela perdeu a melhor amiga, a sócia e o pai em sete meses, e manteve a empresa funcionando
Janaína Landim tinha uma rotina organizada entre o trabalho como coordenadora de compliance em uma instituição financeira e a gestão da Aquamagic, sua franquia de lavanderia self-service em Atibaia, interior de São Paulo. A unidade, aberta em julho de 2023, funcionava bem: ela ia duas vezes por dia fazer a limpeza e manutenção das máquinas, enquanto o pai passava o dia olhando as câmeras de segurança e orientando os clientes remotamente. A sócia, Adriana, dividia com ela as responsabilidades do negócio.
Entre março e outubro de 2024, essa estrutura desmoronou.
Primeiro, em março, morreu a amiga que Janaína cuidava havia tempos e enfrentava uma doença grave. Alguns meses depois, a sócia decidiu sair. Ela também estava enfrentando a doença do próprio pai e não conseguia mais se dedicar à loja.
As duas entraram em pequenos atritos, mas a separação foi amigável. Janaína comprou a parte de Adriana, que havia investido metade dos R$ 240 mil necessários para abrir a franquia.
Em outubro, o pai de Janaína morreu. A perda desencadeou um quadro de depressão. Durante o luto, Janaína pensou em vender a loja e se desfazer de tudo. "Minha vida pessoal desabou. Até eu assimilar as coisas, entrei num quadro de depressão", conta. A perda foi dupla: além do luto pessoal, ela perdeu quem cuidava diretamente da operação. "A diversão dele era ficar nas câmeras e pegar o cliente fazendo 'coisa errada'. Ele ficava feliz em me ajudar."
Reorganização sem pausar
Janaína não fechou a lavanderia em nenhum momento. Durante o período mais crítico da depressão, quando cogitou vender, foi a lembrança do pai que a segurou. "Pensei que ele não queria que eu me desfizesse da loja, que ele gostaria que eu seguisse do jeito que era minha vida com ele aqui."
O que a fez decidir continuar foi o apego à loja e algo que o pai sabia bem: o quanto aquele negócio representava para ela. "Meu pai conhecia a satisfação que eu tinha de ter um negócio de muito sucesso. Então eu segui dando orgulho para ele."
A reorganização operacional veio aos poucos. Janaína chamou a madrinha, que assumiu a função do pai: acompanha a loja remotamente pelas câmeras e aciona Janaína quando necessário. A rotina dela permaneceu a mesma: vai à unidade duas vezes por dia, de manhã e à noite, para higienizar máquinas e espaço. "Nada mudou depois do meu pai. Eu só coloquei outra pessoa no lugar para fazer a atividade que ele fazia."
O modelo da Aquamagic facilitou a continuidade durante a crise. A lavanderia é self-service: o cliente usa as máquinas sozinho, sem necessidade de atendente presente. O acompanhamento é feito remotamente por câmeras. Mas a operação não é totalmente automática. Janaína precisa manter a limpeza, fazer manutenção preventiva e monitorar o funcionamento.
Convivendo com a concorrência
Além das perdas pessoais, Janaína enfrentou outro desafio. Quando abriu a unidade, em 2023, era apenas a segunda lavanderia de Atibaia. Hoje existem mais de dez na cidade.
"A concorrência está me atingindo um pouco, mas não tanto quanto poderia. Mantenho os clientes por perto com qualidade, limpeza e bom atendimento", diz. A unidade fatura entre R$ 20 mil e R$ 25 mil por mês, mas ela reconhece que o volume de concorrentes impacta o resultado. Ainda assim, mantém a operação lucrativa enquanto concilia com o trabalho no banco.
Sobre os sete meses de perdas sucessivas e a decisão de continuar, Janaína resume: "Esses altos e baixos no empreendedorismo fazem parte. A gente tem que entender que são fases e que é preciso superar e seguir. Não dá para desistir no primeiro obstáculo que aparece."
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