Domingo, 29 Maio 2022

Lula e Alckmin, superar as divergências para um objetivo maior

André Agatte*

A consolidação do cenário para a disputa presidencial deste ano indica para uma eleição polarizada entre o atual presidente e o ex-presidente Lula.

É cada vez mais remota a possibilidade de surgimento de uma terceira via que se coloque com chances reais de ir ao segundo turno.

Neste contexto de disputa polarizada, os dois polos da disputa representam projetos absolutamente distintos e antagônicos, com o atual presidente sendo o representante de um projeto político de extrema direita e conservador e o ex-presidente capitaneando um projeto de esquerda e progressista.

Na verdade, ao longo dos últimos anos a estratégia de comunicação do clã Bolsonarista nas redes sociais foi rotular politicamente o PT como representante de uma esquerda radical, que levaria o país a um regime comunista.

Evidentemente essa rotulação tem o viés estratégico de dificultar o apoio de setores mais conservadores da sociedade e do próprio empresariado brasileiro à candidatura do petista, incutindo através de fakenews uma pauta política de costumes em detrimento de um projeto efetivo de governo.

O fato é que a política de comunicação engendrada a partir do denominado "gabinete do ódio" tem se mostrado eficaz em formar ideias no imaginário popular, ainda que muitas vezes fundamentada em mentiras.

E por mais esdrúxulas que sejam, as mentiras disseminadas viram argumentos para a disputa política, ou seja, formam opiniões.

O ex-presidente Lula sabe que a disputa contra Bolsonaro não será fácil, em que pese os desgastes acumulados pelo atual presidente ao longo de sua catastrófica gestão. Sabe que grande parte da população se convence com a rede de mentiras das redes sociais, sabe que grande parte do empresariado lança dúvidas sobre um suposto revanchismo que um eventual terceiro mandato do petista significaria, levando em consideração toda a saga policial e judicial que o conduziu a uma prisão injusta, conforme se revelaram os modus operandi da Lava Jato.

Neste sentido, a mais inusitada aliança deste processo eleitoral uniu adversários políticos históricos, Alckmin e Lula.

Para Alckmin uma repaginação de sua trajetória política até então, talvez como resultado da saga de traições que sofreu no PSDB com a ascensão de João Dória, sua cria política. Mas também por instinto político, sabia que seria difícil sua eleição para o governo do estado de são Paulo e visualizou, na aliança com Lula, um caminho para sua sobrevivência política e o exercício de um protagonismo no cenário nacional, o que pode efetivamente credenciá-lo para um futuro pleito à presidência da república com chances reais.

Para Lula, Alckmin significa um gesto político ao centro, ao empresariado e aos eleitores e setores de perfil mais conservador, um contraponto à imagem construída pelas fakenews bolsonaristas de que se trata de um representante da esquerda radical que levará o país ao regime comunista, baboseiras desse tipo que, como já disse, tornam-se possibilidades reais no imaginário de muita gente que não tem real discernimento sobre a política.

Também nas entrelinhas dessa união está a tentativa da construção de uma ampla frente política para derrotar Bolsonaro no primeiro turno e evitar uma polarização traumática e sangrenta no segundo turno, possibilidade que tem se mostrado cada dia mais improvável.

Como principal articulador dessa aliança, o pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo Fernando Haddad, que recentemente me revelou em conversa informal o fato de que desde que era prefeito de São Paulo e Alckmin Governador do Estado religiosamente se reúne em jantar semanal com o ex-tucano, com quem construiu proximidade e amizade suficientes para conceituar Alckmin como pessoa extremamente preparada e leal.

É lógico que a aliança em si não dissipa as divergências de pensamento político entre Alckmin e o PT ou Alckmin e Lula. Mas a grandeza política reside na postura de superar as divergências e fortalecer pontos de convergência para um objetivo maior.

E nas eleições presidenciais deste ano, o objetivo maior sem dúvida é livrar o país das debilidades e do obscurantismo político-ideológico que Bolsonaro demonstra a cada dia no exercício de seu mandato.

Se funcionará ou não, só o tempo dirá, mas uma coisa é certa, Lula não é Dilma e Alckmin não é Temer.

* O autor é vice-presidente do PSB/Atibaia.

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Comentários: 1

Luis em Sábado, 07 Mai 2022 17:20

PSB - Tá explicado! Sem mais

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