Terça, 17 Fev 2026

Disciplina Respeitosa: não é ser permissivo, é ser firme sem machucar

Disciplina respeitosa não é deixar a criança fazer tudo o que quer. Também não é falar baixo o tempo todo, nem negociar absolutamente tudo. Disciplina respeitosa é ensinar limites sem medo, sem humilhação e sem ameaça. É ser o adulto na relação. Não é educar pelo volume da voz, mas na clareza.

Entre um e seis anos, a criança está aprendendo a regular as emoções, a controlar impulsos e entender regras sociais. O cérebro ainda está em construção e precisando de uma boa base e de alicerces fortes.

A parte que inibe comportamentos e atitudes, avalia consequências e organiza ações e o nome dele é o córtex pré-frontal. E ele ainda está longe de estar pronto. Isso significa que birras, resistência e impulsividade não são falhas morais e sim sinais de imaturidade neurológica. Significa que o cérebro precisa de muitas funções "elaboradas" para que a criança vá desenvolvendo progressivamente suas funções. Portanto, é um processo. Um processo que depende de adultos responsáveis e de um ambiente favorável.

Quando os adultos respondem apenas com punição, gritos ou castigos desconectados, a criança até pode parar naquele momento. Mas ela aprende algo perigoso: obedeça por medo.

Ela obedece não por entendimento e sim pelo receio de ser punida de alguma maneira. Não porque confia ou por ter entendido o castigo.

A disciplina respeitosa trabalha diferente. Ela parte de três pilares:

1. Conexão antes da correção
A criança só aprende quando se sente segura. Isso não quer dizer concordar com tudo. Quer dizer mostrar que você vê a emoção, mesmo quando vai impedir a ação.

Algo do tipo: "Eu sei que você está bravo. Mesmo assim, não posso deixar você me bater. Isto machuca e é inaceitável". A fala deve ser respeitável e firme.

2. Limites previsíveis
Não é a intensidade da bronca que ensina - é a constância. Poucas regras, claras e repetidas muitas vezes. O adulto vira referência estável, não ameaça ambulante.

3. Consequências ligadas ao comportamento
Nada de castigos aleatórios. Se jogou o brinquedo, o brinquedo sai por um tempo de cena. Se derramou água de propósito, ajuda a limpar. Isso ensina responsabilidade, não medo.

Entre 1 e 3 anos, disciplina é principalmente prevenção: organizar o ambiente, antecipar cansaço, evitar excesso de estímulos, oferecer escolhas simples ("quer o copo azul ou vermelho?") e escolhas limitadas (geralmente duas).

Entre 4 e 6 anos, entra a conversa curta, direta e firme: "Na nossa casa não empurramos. Se quiser brincar, pede".

Sem discurso longo. Sem humilhação. Sem rótulos como "você é impossível". "Você é malvado".

A criança aprende muito mais com o tom emocional do adulto do que com as palavras. Pais que conseguem se regular ensinam autorregulação sem perceber.

Disciplina respeitosa não cria crianças frágeis. Cria crianças seguras e segurança é a base da disciplina verdadeira.

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br. Instagram: @terapeutadebebes_familia

Veja mais notícias sobre Dra. Regiane Glashan.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Terça, 17 Fevereiro 2026

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.atibaiahoje.com.br/