Disciplina Respeitosa: não é ser permissivo, é ser firme sem machucar
Disciplina respeitosa não é deixar a criança fazer tudo o que quer. Também não é falar baixo o tempo todo, nem negociar absolutamente tudo. Disciplina respeitosa é ensinar limites sem medo, sem humilhação e sem ameaça. É ser o adulto na relação. Não é educar pelo volume da voz, mas na clareza.
Entre um e seis anos, a criança está aprendendo a regular as emoções, a controlar impulsos e entender regras sociais. O cérebro ainda está em construção e precisando de uma boa base e de alicerces fortes.
A parte que inibe comportamentos e atitudes, avalia consequências e organiza ações e o nome dele é o córtex pré-frontal. E ele ainda está longe de estar pronto. Isso significa que birras, resistência e impulsividade não são falhas morais e sim sinais de imaturidade neurológica. Significa que o cérebro precisa de muitas funções "elaboradas" para que a criança vá desenvolvendo progressivamente suas funções. Portanto, é um processo. Um processo que depende de adultos responsáveis e de um ambiente favorável.
Quando os adultos respondem apenas com punição, gritos ou castigos desconectados, a criança até pode parar naquele momento. Mas ela aprende algo perigoso: obedeça por medo.
Ela obedece não por entendimento e sim pelo receio de ser punida de alguma maneira. Não porque confia ou por ter entendido o castigo.
A disciplina respeitosa trabalha diferente. Ela parte de três pilares:
1. Conexão antes da correção
A criança só aprende quando se sente segura. Isso não quer dizer concordar com tudo. Quer dizer mostrar que você vê a emoção, mesmo quando vai impedir a ação.
Algo do tipo: "Eu sei que você está bravo. Mesmo assim, não posso deixar você me bater. Isto machuca e é inaceitável". A fala deve ser respeitável e firme.
2. Limites previsíveis
Não é a intensidade da bronca que ensina - é a constância. Poucas regras, claras e repetidas muitas vezes. O adulto vira referência estável, não ameaça ambulante.
3. Consequências ligadas ao comportamento
Nada de castigos aleatórios. Se jogou o brinquedo, o brinquedo sai por um tempo de cena. Se derramou água de propósito, ajuda a limpar. Isso ensina responsabilidade, não medo.
Entre 1 e 3 anos, disciplina é principalmente prevenção: organizar o ambiente, antecipar cansaço, evitar excesso de estímulos, oferecer escolhas simples ("quer o copo azul ou vermelho?") e escolhas limitadas (geralmente duas).
Entre 4 e 6 anos, entra a conversa curta, direta e firme: "Na nossa casa não empurramos. Se quiser brincar, pede".
Sem discurso longo. Sem humilhação. Sem rótulos como "você é impossível". "Você é malvado".
A criança aprende muito mais com o tom emocional do adulto do que com as palavras. Pais que conseguem se regular ensinam autorregulação sem perceber.
Disciplina respeitosa não cria crianças frágeis. Cria crianças seguras e segurança é a base da disciplina verdadeira.
* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br. Instagram: @terapeutadebebes_familia
Veja mais notícias sobre Dra. Regiane Glashan.
Comentários: