A omissão pode custar caro: erros que podem colocar a vida dos filhos em risco
Ser pai e mãe nunca foi uma tarefa simples. Educar exige amor, mas também presença, limites, diálogo e coragem para dizer "não" quando necessário. Em uma época em que muitos pais precisam dividir seu tempo entre trabalho, responsabilidades e a correria do dia a dia, é compreensível que nem sempre consigam acompanhar cada passo dos filhos. No entanto, existem erros que, quando se tornam rotina, podem abrir portas para situações extremamente perigosas.
Infelizmente, como neuropsicopedagoga, já acompanhei histórias que poderiam ter tido um desfecho diferente se alguns sinais tivessem sido percebidos mais cedo. Não se trata de culpar as famílias, mas de conscientizar sobre atitudes que podem fazer toda a diferença.
O primeiro erro é acreditar que "meu filho sabe se cuidar". Crianças e adolescentes ainda estão desenvolvendo a capacidade de avaliar riscos, controlar impulsos e prever consequências. O cérebro responsável por essas funções continua amadurecendo até o início da vida adulta. Por isso, supervisão não é falta de confiança; é proteção.
Outro equívoco comum é não saber onde o filho está, com quem está e o que está fazendo. Muitos pais imaginam que o perigo está apenas nas ruas, mas hoje ele também pode estar dentro do quarto, por meio das redes sociais, aplicativos de conversa e jogos online.
Na minha adolescência presenciei duas famílias vizinhas, que moravam na mesma rua, perderem os três filhos para as drogas (lícitas e ilícitas), inclusive causando a morte de dois dos seis garotos. Fora o mal comportamento que se instalou, como a agressividade, que se voltou, inclusive, contra a própria mãe e esposa (violência contra a mulher). Famílias de classe média, que deixavam os filhos na rua "brincando" sem supervisão. Menos barulho em casa, mas o preço foi o futuro dos filhos!
Também preocupa quando os pais deixam de acompanhar a vida escolar. A escola costuma ser um dos primeiros lugares onde aparecem mudanças de comportamento. Queda no rendimento, faltas frequentes, isolamento, agressividade, desinteresse ou alterações bruscas de humor podem ser sinais de que algo não vai bem. Quando família e escola caminham juntas, as chances de identificar problemas precocemente aumentam significativamente.
Outro erro é não estabelecer limites por medo de desagradar os filhos. Muitos confundem amor com permissividade. Porém, crianças e adolescentes precisam de regras claras, consequências coerentes e adultos que exerçam autoridade com respeito. Limites oferecem segurança e ajudam na formação do caráter.
Há ainda famílias que acreditam que conversar sobre drogas, álcool, violência ou sexualidade incentiva os jovens a experimentar essas situações. A realidade mostra justamente o contrário. O silêncio deixa espaço para que a internet, colegas ou pessoas mal-intencionadas forneçam informações distorcidas. Quando o diálogo acontece dentro de casa, os filhos tendem a desenvolver maior senso crítico e confiança para pedir ajuda quando necessário.
Outro ponto importante é observar mudanças repentinas no comportamento. Alterações no grupo de amizades, segredo excessivo, mentiras frequentes, mudanças bruscas de humor, isolamento, objetos ou dinheiro desaparecendo em casa, descuido com a higiene, alterações no sono ou no apetite e queda no desempenho escolar merecem atenção.
Também é perigoso minimizar as amizades dos filhos. É natural que os adolescentes desejem pertencer a um grupo, mas conhecer os amigos, suas famílias e os ambientes que frequentam continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenção. A influência dos pares pode ser extremamente positiva, mas também pode levar a escolhas impulsivas e perigosas.
Nenhuma família é perfeita. Todos cometem erros. Mas a presença, o diálogo e o interesse genuíno pela vida dos filhos continuam sendo alguns dos fatores de proteção mais importantes que existem. Em um mundo cheio de riscos, o maior presente que um pai ou uma mãe podem oferecer não é apenas conforto material, mas tempo, atenção e participação ativa na vida de quem mais ama.
* A autora é Neuropsicopedagoga e Psicopedagoga Clínica, Pedagoga com Habilitação em Administração Escolar, Especialista em Intervenção ABA no Autismo e Deficiência Intelectual, Professora/Formadora em Educação Inclusiva, além de Coach Pessoal, Profissional e Líder Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e Analista Comportamental Disc pela Gestor Performance. Possui experiência de mais de 20 anos na área, atuando no âmbito escolar, clínico, empresarial. Contatos: E-mail: [email protected]. Instagram: @neuropsicocristianesaraguci. Facebook: @neuropsicocristianesaraguci. Site: www.cristianesaraguci.com.br
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