Quarta, 08 Jul 2026

O uso de telas e seus impactos no comportamento infantil

Vivemos em uma era digital em que celulares, tablets, computadores e televisões fazem parte do cotidiano das famílias. As telas oferecem entretenimento, informação e oportunidades de aprendizagem, mas seu uso excessivo é preocupante, vários especialistas alertam sobre os possíveis impactos no desenvolvimento e no comportamento das crianças.

É cada vez mais comum observar crianças pequenas utilizando dispositivos eletrônicos por longos períodos. Muitas vezes, as telas são utilizadas como recurso para acalmar, distrair ou ocupar a criança durante as atividades dos pais e familiares. Embora seja tentador, pois a criança se aquieta quando está utilizando tecnologia, é importante refletir sobre os efeitos que o excesso de exposição pode gerar a curto e longo prazo. Precisamos alertar e falar sobre isso!

Diversos estudos apontam que o uso excessivo de telas está associado a dificuldades de atenção, irritabilidade, impulsividade e menor tolerância à frustração. Isso acontece porque muitos conteúdos digitais oferecem estímulos rápidos e constantes, fazendo com que o cérebro se acostume a níveis elevados de excitação, ou seja, é o que chamamos de "dopamina" ruim. Como consequência, atividades que exigem concentração, espera, esforço ou raciocínio mais prolongado podem se tornar menos atrativas para a criança.

Outro aspecto importante é a influência das telas sobre as habilidades sociais. O desenvolvimento infantil acontece por meio das interações humanas, das brincadeiras, das conversas e das experiências vividas no mundo real. Quando grande parte do tempo livre é ocupada por dispositivos eletrônicos, podem surgir prejuízos na comunicação, na empatia e na capacidade de resolver conflitos de forma adequada.

O sono também merece atenção. O uso de telas próximo ao horário de dormir pode dificultar o relaxamento e prejudicar a qualidade do sono. Crianças que dormem menos ou apresentam sono fragmentado tendem a demonstrar mais irritabilidade, agitação, dificuldades de aprendizagem e alterações emocionais ao longo do dia.

Calma! Isso não significa que a tecnologia deva ser vista como uma inimiga. Quando utilizada com equilíbrio, supervisão e critérios adequados à faixa etária, ela pode contribuir para o aprendizado e ampliar o acesso ao conhecimento. O desafio está em encontrar um uso saudável, sem que as telas substituam experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil.

As famílias podem adotar algumas estratégias simples, como estabelecer horários para o uso dos dispositivos, evitar telas durante as refeições, criar momentos de convivência sem aparelhos eletrônicos e incentivar brincadeiras ao ar livre, leitura, jogos de tabuleiro e atividades criativas. Para facilitar o controle de tempo, basta instalar um aplicativo para controle de "Pai e Mãe" como Family Link, por exemplo. Sem dor de cabeça, sem briga, os pais programam o tempo de uso e horário de desligamento, o próprio aplicativo bloqueia automaticamente o celular da criança ou adolescente. Todos os aplicativos e sites acessados serão informados para os pais.

Mais do que controlar o tempo de tela, é importante observar a qualidade do conteúdo consumido e, principalmente, garantir que a criança tenha oportunidades de explorar o mundo real, construir relações significativas e desenvolver suas habilidades de forma integral.

A infância é um período único de descobertas, experiências e aprendizagens. A tecnologia pode fazer parte desse processo, mas jamais deve substituir aquilo que é essencial para o desenvolvimento saudável: o brincar, o conviver, o experimentar e o aprender por meio das relações humanas.

* A autora é Neuropsicopedagoga e Psicopedagoga Clínica, Pedagoga com Habilitação em Administração Escolar, Especialista em Intervenção ABA no Autismo e Deficiência Intelectual, Professora/Formadora em Educação Inclusiva, além de Coach Pessoal, Profissional e Líder Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e Analista Comportamental Disc pela Gestor Performance. Possui experiência de mais de 20 anos na área, atuando no âmbito escolar, clínico, empresarial. Contatos: E-mail: [email protected]. Instagram: @neuropsicocristianesaraguci. Facebook: @neuropsicocristianesaraguci. Site: www.cristianesaraguci.com.br

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