Quarta, 17 Ago 2022

O conhecimento do bebê vem acompanhado de boas escolhas e emoções

Dra. Regiane Glashan*

Quanto mais de bem com a vida melhor aprendemos e nos posicionamos no mundo. Assim também acontece com os bebês. Coisas práticas e biológicas auxiliam em muito no desenvolvimento cognitivo dos bebes desde o intraútero.
Para termos uma ideia de como isso é importante, o bebê ao nascer faz aproximadamente 2,5 sinapses (informações neurônio/neurônio). Esse número atinge 15 mil por volta dos 3 anos de idade, e o volume cerebral quadruplica, desde que a alimentação e os fatores ambientais e o estresse materno estejam modulados.
A amamentação está em alta!
Os estudos comprovam o papel da amamentação na construção do intelecto infantil e os pontos adicionais ao QI são mantidos até a fase adulta do indivíduo. Amamentar contribui não só para o intelecto do bebê, mas também para seu lado afetivo, vincular e social.
O que o leite materno faz pelo bebê?
Muita coisa!
Primeiro: a resposta afetiva, o famoso "imprint" mãe-bebê, segundo: o vínculo progressivo, terceiro: a presença e o impacto de substâncias presentes no leite materno atuam na formação e crescimento da rede neuronal (gorduras e o ácido araquidônico), quarto: atividade de compostos relacionados a defesa imunológica que assegura o desenvolvimento saudável do bebê e quinto: ganho ponderal adequado (estatura e peso). Estudos apontam que a nutrição materna inadequada pode contribuir para uma redução de áreas cerebrais que participam das funções cognitivas e memória do bebê.
Em relação aos afetos e sentimentos, as crianças que são estimuladas a desenvolver a empatia e o respeito ao próximo e a natureza, desde cedo, têm maiores chances de desfrutar de uma vida mais saudável. Nesse sentido também podemos contextualizar a bem-vinda presença de um animalzinho de estimação. Os estudos científicos demonstram que a interação das crianças com o animalzinho propicia o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida delas, tais como: respeito, confiança, solidariedade e outros.
Por outro lado, existem compostos e substâncias que interferem negativamente no QI do bebê desde a vida intrauterina.
A poluição é uma delas. Agentes poluentes poderiam ultrapassar a barreira placentária e danificar o tecido cerebral do feto. De maneira importante também está o estresse materno. O excesso de cortisol, liberado na corrente sanguínea da mãe estressada, venceria a barreira placentária e alteraria áreas cerebrais do bebê relacionadas ao raciocínio lógico, matemático e leitura.
Outro dado interessante é o uso de aparelhos eletrônicos para estimular os pequenos. Tablets, smartphones e computadores apesar de ser um forte apelo para os pais, a academia Americana de Pediatria contraindica esse recurso a crianças menores de 2 anos. As crianças têm o direito de aprenderem com as brincadeiras livres e não por meio de uma tela. As crianças expostas as mídias eletrônicas apresentam um menor desempenho da linguagem, do desenvolvimento emocional e outros prejuízos não menos importantes.
Em resumo as futuras cognições do bebê vão depender diretamente do controle de peso da mãe antes e depois da gestação, de sua nutrição ao longo da gravidez, da herança genética, da amamentação, do controle do estresse materno e do ambiente nutridor que receberá o futuro bebê.

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br

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