Quarta, 14 Jan 2026

Uma das minhas histórias que eu mais adoro

Tanto tempo vivido e sofrido em jornal, as coisas que eu vi, coisas que vivi e que enfrentei não me saem da cabeça. Vai daí que, para começar o ano, pego um pedaço dessa história e relembro como nasceram algumas frases, alguns comentários, alguns ditos, alguns toques de amor ao glorioso Timão, o Coringão de tantos corações, de tantas festas, tantas vitórias e, como não, tanto choro também. Sim, porque, a vida não é feita só de alegrias, ela vem com muita tristeza.

Então, vai essa história que todo mundo curte e que saiu da minha cabeça, quando eu ainda era meio crianção, no começo da minha carreira como jornalista. Estava em plena redação dos antigos jornais Diário da Noite e Diário de São Paulo, tanto tempo faz, ainda na Rua 7 de Abril, no centro de São Paulo, no edifício dos Diários Associados. Esperando o fechamento do jornal daquele dia.

" Na Manchete "

De repente, chegou a hora da criação da manchete, das chamadas de primeira página e coisas do gênero. No dia seguinte a esse tal dia, o Corinthians iria enfrentar um clube lá da Inglaterra, se não me engano. Era preciso que se criasse uma frase forte, inesquecível, que chamasse a atenção como toda boa manchete de jornal. Palpite daqui palpite dali, testa aqui, testa ali, todo mundo sugerindo quando deu na minha cabeça a manchete que criou o "Vai Corinthians!".

Isso mesmo. Todo mundo da redação adorou. "Issoaí!" - "Issoai!" - gritavam.

E o jornal Diário da Noite do dia seguinte, dia em que o Corinthians enfrentaria um time lá da Inglaterra, se não me engano, nasceu o nome tão lindo como o "Time do Povo, jogai por nós!", parafraseando a minha manchete "Pelé, jogai por nós".

" Sim, jogai por nós! "

Depois, teve outro grande jogo do Timão e eu tive, de novo, o privilégio de criar uma nova manchete que acabou se tornando outro grito da torcida alvinegra: "Vai Corinthians! - Mata esse povo de alegria".

Não sei quanto tempo faz tudo isso, eu ainda era o tipo do jornalista - dia-a-dia, semana-a-semana, mês-a-mês - e vivia fazendo frases, criando manchetes, ideias.

Adorava quando o assunto era esporte. Futebol, especialmente.

Nunca me esqueço de uma manchete do antigo jornal Diário da Noite, um dos líderes de audiência, naqueles tempos quando o jornalismo, especialmente o jornalismo esportivo, deitava e rolava ao sabor das vitórias, empates, conquistas dos clubes paulistas. E até brasileiros, claro.

" E aí veio "

No contexto das Copas do Mundo de 1966 (quando o Brasil acabou sendo eliminado cedo, pois Pelé, havia se contundido e não pôde jogar), todo mundo na redação estava quebrando a cabeça, como sempre, "catando" na memória, uma frase, o dito, a sentença tão esperada que iria ajudar a vender mais e mais, tantos mais jornais nas bancas, naquele dia.

O Pelé ainda iria jogar naquele dia. Mil sugestões, mil palavras, mil manchetes pensadas e calculadas até que veio a frase final na minha cabeça, frase que acabou virando manchete e ficando na história: "Pelé, jogai por nós".

Não sei se o prezado leitor chegou a ver essa manchete publicada nos Diários Associados de São Paulo. Manchete que ficou até hoje e é lembrada por escrito além de ser cantada por muitos e, principalmente por toda a torcida alvinegra.

Os supostos "criativos" da diretoria do Corinthians, direta, clara, objetivamente, e com quase todas as letras na minha cabeça eternizou, para meu orgulho a frase: "Time do Povo, jogai por nós!".

A mesma frase que hoje estampa e ocupa lado a lado a parte principal da arquibancada da Arena Corinthians.

Tantos anos depois, eu ainda vejo por aí, nos braços e nos gritos da torcida alvinegra o velho pedido, a velha súplica: "Time do Povo, jogai por nós!".

Juro que fico aqui todo orgulhoso. E não é para menos, é?

Corinthians, Jogai por nós!

Vai Corinthians - mata esse povo de alegria!

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