Fronteiras e papéis dentro das famílias: quando tudo se mistura
Famílias saudáveis não são aquelas sem conflitos, mas aquelas com fronteiras claras e flexíveis. Isso significa que cada membro tem seu espaço, seu papel e sua responsabilidade.
Quando essas fronteiras se confundem, surgem dificuldades importantes:
• Crianças que assumem papel de adulto
• Pais que se colocam como "amigos" sem exercer autoridade com responsabilidade e afeto
• Alianças disfuncionais (exemplo: mãe-filho contra pai)
• Dificuldade em estabelecer limites claros e realistas
A criança precisa de um adulto que sustente o lugar de adulto. Não de perfeição, mas de consistência.
Sem isso, ela se perde.
E quando todas essas variáveis não se alinham? Pode surgir o sintoma como tentativa de solução.
Um dos princípios mais potentes da abordagem sistêmica é compreender o sintoma como uma tentativa de solução.
Aquilo que incomoda: birras, desobediência, isolamento não é apenas um problema. É também uma estratégia, ainda que imatura, de lidar com algo.
Se uma criança grita, talvez seja porque não encontrou outra forma de ser ouvida.
Se desafia limites, talvez esteja testando onde eles realmente existem.
Se se fecha, talvez esteja se protegendo de algo que não consegue nomear.
A mudança, portanto, não acontece apenas corrigindo o comportamento, mas modificando o contexto relacional que o sustenta.
E como seria este lugar que sustenta? Seria o lugar dos pais equilibrando entre a autoridade e o vínculo.
A parentalidade, sob o olhar sistêmico, exige equilíbrio delicado entre vínculo e autoridade.
Vínculo sem autoridade gera insegurança.
Autoridade sem vínculo gera medo ou afastamento.
A criança precisa sentir que pertence e que há alguém no comando.
Isso não significa rigidez ou autoritarismo. Significa clareza, previsibilidade e presença emocional.
Pais que oscilam demais ora permissivos, ora rígidos, tendem a gerar confusão interna na criança. Ela não sabe o que esperar. E, diante disso, tende a testar ainda mais.
E por onde começar as mudanças? Mudança sistêmica: pequenas alterações, grandes efeitos.
Uma das ideias mais interessantes da abordagem sistêmica é que pequenas mudanças podem gerar grandes transformações.
Não é necessário "consertar tudo". Às vezes, mudar a forma de responder a um comportamento já altera toda a dinâmica.
Exemplo: um pai que deixa de entrar em disputa de poder e passa a sustentar um limite com calma modifica o ciclo relacional. A criança responde. O sistema se reorganiza. E, aos poucos, novos padrões se constroem.
* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br. Instagram: @terapeutadebebes_familia
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