Quarta, 24 Jul 2024

Soluções e limites - Parte 1

Dra. Regiane Glashan*

A definição de limites claros é importante para a criança, assim como encontrar soluções para quando uma regra for quebrada ou não obedecida. E o quanto a participação de seu filho é importante para encontrar a resolução de um problema.

Quem nunca presenciou uma criança batendo ou mordendo um amiguinho ou até mesmo quebrando um brinquedo quando fica desapontada ou com raiva? Isso não é maldade, é imaturidade emocional. Embora, entendemos que a agressividade é comum nos pequeninos, isso não quer dizer que devemos aceitar e não fazer nada. Podemos sim e devemos!

Após a crise de raiva (isso quando não conseguimos atuar antes) é necessário que acolhamos o sentimento da criança, que traduzimos seus sentimentos em palavras e depois temos a obrigação de conversar com a criança que determinados comportamentos são inadmissíveis e que algo precisa ser feito para reparar o erro (destempero emocional). Por exemplo, Lívia, uma menininha de 3,5 anos deu uma mordida no bracinho do colega, pois ele não queria emprestar seu boneco super-herói. A mãe, já havia sido orientada por nós sobre "treinadores emocionais" e disciplina empática e logo que pode interviu: "Lívia, eu sei que você ficou muito brava por quê seu coleguinha não quis lhe emprestar o brinquedo e não é certo você mordê-lo. O que você poderia fazer em vez de agredi-lo? Dá para pensar em algo diferente?".

Lívia, uma garotinha muito esperta logo respondeu: "Vou pedir desculpas, dar um beijinho no dodói e depois pedir o boneco de volta!". Essa mãe agiu de maneira muito bacana, pois validou os sentimentos de sua filha e ao mesmo tempo mostrou que não há problema em sentir raiva, mas isso não quer dizer que podemos nos comportar ou agir mal. A mãe colocou limite no comportamento de sua filha, sem humilha-la ou puni-la. A mãe de Lívia mostrou que ela tem direito de sentir suas emoções, mas a forma de manifestar a emoção é que estava errada.

Se permitir que a criança expresse suas emoções de maneira não destrutiva é aceitável, que tipos de comportamentos os pais não devem aceitar? Essa é uma resposta embaraçosa, pois envolve aspectos culturais e sociais. Entretanto, ao meu ver, os pais não devem aceitar formas de violência física e verbal (bater, morder, empurrar, puxar cabelo, xingar, etc.). No mais, precisamos entender que criança é criança e elas foram feitas para desbravar o mundo e se sujarem! E aqui vale a pena lembrar que criticismo/autoritarismo e permissividade são formas de negligência.

Além de entender as fases de desenvolvimento da criança (o que se pode esperar numa criança de 2, 4, 6, 8, 10 anos), os pais precisam ter claro em seus lares as regras que não podem ser quebradas e aquilo que vez por outra pode ser tolerável. Por exemplo, coisas que colocam em risco a vida de seu filho e de outrem é intolerável e sujar a roupa nova no dia do casamento de um amigo é tolerável.

Quando o pai coloca um limite em determinada conduta, a criança deve ter conhecimento disso previamente e o que pode acontecer quando essa conduta é transgredida.

Lembrar que punições depreciativas não melhoram o comportamento de uma criança. Quem disse que para uma criança melhorar ela primeiro precisa ser humilhada e se sentir mal?

Na Suécia, pesquisadores observaram que menos de 10% dos pais cometiam alguma forma de violência contra seus filhos. Já nas américas essa porcentagem sobe para mais de 90%. Bater e constranger a criança pode ser um (mal) "hábito" cultural de educação.

Lembre-se castigos humilhantes e físicos reduzem o mal comportamento na hora, mas provocam retaliação, humilhação e revanchismo num momento posterior. Portanto, violência não educa e sim (des) educa!!! Bater também ensina que agredir é uma maneira de se conseguir o que se quer, custe o que custar (são indivíduos que podem se tornar mais violentos na adolescência e depois na fase adulta).

Quando a criança tem a oportunidade de aprender regulação emocional com seus pais e a aprender com limites claros, ela se comporta melhor, se torna mais colaborativa em casa e em sua vida social e escolar e reconhece em seus cuidadores pessoas de afeição, conforto e confiança.

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br. Instagram: @terapeutadebebes_familia

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Quinta, 25 Julho 2024

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