Abraços, segue carta
Para falar a verdade, a verdade pode até ser a maior mentira do mundo.
Verdade, mano.
Quem garante que é verdade essa verdade que muita gente anda pregando por aí?
Quem garante que é verdade? O Lula? Que Lula?
Talvez a lula, uma espécie de peixe do mar. Seriam peixes as lulas? E esse Lula que está em Brasília, o que seria? Uma pessoa? Sei lá. Lulas são lulas e o Lula é o Lula.
Uma lula não tem nada a ver com o Lula. Porque o Lula é Lula por causa do nome que recebeu quando nasceu: Luiz. Para não complicar e mais para facilitar, começaram a chamar de Lula.
Lula daqui, Lula dali o Lula foi parar lá, no Planalto. Não por minha culpa, claro, pois eu não tinha voto para votar. Enfim, não votei. Você votou? Ah! Danadão, hein?
Tá lá o Lula, ou o Lula lá, como dizia a canção eleitoral do Lula.
" De novo "
Volto ao começo, tentando falar a verdade que, como dito e até já cansativamente comprovado, tem muita verdade que não passa de grande mentira. Verdade, mano.
" Mas, enfim "
Pois é, mas, enfim, a verdade anda por aí como se fosse uma grande mentira. Ou a mentira é que anda por aí, como se fosse uma grande verdade. Neste país descoberto, até meio sem querer pelo Cabral, como contam os historiadores, nunca se sabe ou até nunca se soube o que era verdade ou o que era mentira. Verdade, mano. Pode perguntar por aí.
A gente começa a estudar a nossa história e acaba meio na dúvida se ela, a tal história nossa, é verdadeira ou mentirosa. Às vezes eu penso - eu também penso, acredite nisso - como é que tudo aconteceu.
Contam que o Pedro Alvarez Cabral saiu a passeio com um monte de barcos ou navios - naquele tempo eram barcos mesmo - e o tempo que eu digo é de quinhentos anos, por aí, ou mais ainda, ou menos, não lembro agora. Se me lembrar eu digo depois. Se não me lembrar fica por isso mesmo, já que faz tanto tempo que não dá para lembrar.
" Questão de tempo "
Por falta de tempo, nem sei se realmente o tempo já existia naquele tempo.
" A verdade dói "
Mas, então, dizia eu, a verdade - pode ou não - ser verdadeira, depende sempre de quem está dizendo. A gente pode acreditar nos políticos? Digaí
A gente pode acreditar no Corinthians? Digaí, de novo. O Corinthians ganha uma e perde um monte. A gente grita, a gente berra, a gente torce e parece que os caras que estão jogando "pra nóis", como dizem os caipiras, não se tocam, não tocam, não chutam, não passam, e quando passam, passam tão mal que seria melhor que passassem de uma vez pra sempre e deixassem a gente em paz. Mas, não, os caras só nos atormentam.
" Culpa de quem? "
Da mesma forma o governo, ou os governos também atormentam a gente. A gente paga, paga, paga imposto pra tudo e pra nada, e o que se tem é só o nada, nunca o tudo ou nem mesmo qualquer coisa em troca.
Dá até vontade da gente trocar tudo, não dá? Aí, tocam o Lula-lá. E o Lula tá lá. O que é que o Lula faz lá? E o que é que os deputados, vereadores, senadores e outras dores fazem por nós? Nada.
Vão pra Brasília, ficam em Brasília, não sei o que fazem em Brasília e nóis aqui no pior, como diria a caipirada. Verdade. Verdade verdadeira. Verdade doída e não doida, é doída com acento no i, assim, ó í. Í maiúsculo, já viu isso? Pois é, verdade doída, com acento no Í, repito.
Quando é que vai ter eleição de novo? Não me venham com essa de votar no Lula de novo.
" Falar a verdade de novo "
Isso mesmo, para falar a verdade, de novo, é melhor falar mais mentiras. Porque mentiras a gente tem às pampas, como diriam os gaúchos, brasileiros lá do sul do país, claro.
Vivemos no mundo das mentiras. Ganha mais quem mente mais. E quem mente menos? Quem mente menos ganha menos, é menos lembrado, é mais maltratado, mal ensinado, mal criado, mal isso e mais mal aquilo.
Como dizia no começo, a verdade pode até ser a maior mentira do mundo, no entanto ela tem que estar presente, vivente, consciente e daí pra frente, só para rimar, e isso até daria samba.
" É o fim "
Para não falar tudo isso de novo, encerro aqui a minha participação neste samba do crioulo doido. Quem sabe pra semana que vem as coisas piorem de novo e a gente vai ficar com saudade das misérias de hoje. Está de bom tamanho, não está? É Lula lá e nóis aqui, mano. Abraços, segue carta
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