Disciplina respeitosa constrói o adulto que você quer ver amanhã
Muitos pais pensam apenas no comportamento de hoje. Mas disciplina é um investimento de longo prazo. Algo que você começa a plantar hoje e vai colhendo ao longo da vida da criança e da família em conjunto.
Quando você pensa em disciplina, tenho certeza que seu foco como pai e mãe não é apenas a primeira e a segunda infância, mas também a adolescência e a formação de um bom cidadão.
Você quer um adolescente que:
- saiba dizer não,
- respeite limites,
- confie em você,
- converse quando erra?
Pois bem, isso tudo começa por volta dos dois anos.
Quando o adulto combina firmeza com vínculo, a criança aprende:
- "Existe regra."
- "Existe cuidado."
- "Eu continuo pertencendo mesmo quando erro."
E isso tudo é muito poderoso. Principalmente, para o olhar de uma criança que estabelece uma boa conexão com seus pais.
Agora me diga, você acha que tudo isso surge num passe de mágica?
Claro que não. É necessário habilidades e empenho parental.
Rotinas previsíveis ajudam muito: hora de dormir, comer, brincar, guardar. O cérebro infantil se organiza com previsibilidade. Também é essencial cuidar do adulto. Pais exaustos explodem mais.
Disciplina respeitosa exige energia emocional tanto da mãe quanto do pai. Apoio, pausas e divisão de tarefas não são luxo e sim prevenção de estafa.
E talvez as frases mais importantes que eu gostaria de deixar para vocês sejam:
* limite sem afeto vira dureza.
* afeto sem limite vira insegurança.
* criança precisa dos dois.
Disciplina respeitosa não promete crianças perfeitas. Promete crianças humanas, em construção, guiadas por adultos que não educam pelo medo, mas pela presença e pelo afeto.
Animais de estimação também são família
Quem nunca teve um cachorro ou qualquer animal de estimação, aliás pode revirar os olhos ao ouvir "cães fazem parte da família". Mas para os pais atuais e antigos, esse sentimento está longe de ser sem sentido. Na verdade, 97% dos americanos consideram seus pets parte da família, segundo uma pesquisa do Pew Research Center.
Ter um cachorro em casa quando há crianças não é apenas acrescentar um animal à rotina familiar. É abrir espaço para uma relação que pode transformar a infância, fortalecer vínculos, ensinar empatia e também exigir responsabilidade, organização e consciência emocional dos adultos. Muitos pais imaginam cenas perfeitas: a criança abraçando o filhote, brincadeiras no quintal, fotos fofas no sofá. E tudo isso pode acontecer. Mas a convivência real entre cães e crianças é construída no dia a dia, com orientação, limites, cuidado e muita presença dos pais.
O que um cachorro pode ensinar a uma criança
Uma das maiores riquezas de crescer com um cachorro é a oportunidade diária de aprender sobre o outro. Diferente de brinquedos ou telas, um animal é um ser vivo, com necessidades, limites, emoções e formas próprias de se comunicar.
A criança aprende, pouco a pouco, que:
• o cachorro sente medo, alegria, desconforto;
• precisa comer, beber água, descansar;
• não quer brincar o tempo todo;
• reage quando é machucado ou invadido;
• precisa ser tratado com respeito.
Essas experiências constroem algo profundo: empatia. Não aquela empatia teórica, explicada em palavras difíceis, mas a empatia vivida. A criança percebe que suas ações impactam alguém. Que puxar o rabo machuca. Que gritar perto assusta. Que acariciar com calma acalma.
Além disso, a convivência pode fortalecer:
• senso de responsabilidade (encher o potinho de água, ajudar a colocar comida);
• rotina (horário de passear, alimentar, escovar);
• vínculo afetivo;
• autorregulação emocional (muitas crianças se acalmam ao abraçar um animal);
• autoestima (sentir-se importante por cuidar).
Para muitas crianças, o cachorro vira confidente silencioso, companhia nos momentos difíceis, presença constante em fases de mudança, como a chegada de um irmão, troca de escola ou separações familiares.
Com tudo que na atualidade temos visto e ouvido sobre um pet, vale a pena ter um em casa se houver supervisão, vontade expressa de amar incondicionalmente um bichinho e estarmos devotos a ele pelo resto de sua vida.
* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br. Instagram: @terapeutadebebes_familia
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