Domingo, 29 Maio 2022

Família Tóxica e as Crianças

Dra. Regiane Glashan*

A família é um pilar fundamental para o desenvolvimento infantil. É uma fonte incrível de segurança, apoio e carinho que contribui para o bem-estar emocional e o crescimento saudável das crianças.

De fato, foi demonstrado que crianças cujas famílias lhes dão segurança e confiança elas tendem a ser mais confiantes, a terem melhor desempenho acadêmico e melhor desenvolvimento cerebral.

No entanto, esse nem sempre é o caso, há momentos em que a família pode se tornar uma fonte de estresse e sofrimento para as crianças. Nesses casos, a influência negativa dos pais ou de outros membros da família pode afetar significativamente seu desenvolvimento emocional e causar-lhes graves danos que podem durar até a idade adulta.

E como será que as famílias tóxicas minam o desenvolvimento psicoemocional das crianças?

Com atitudes familiares que podem afetar o desenvolvimento psicológico das crianças

1. Rotulando as crianças

Os rótulos que colocamos sem perceber acabam influenciando o conceito que a criança forma de si mesma, sobre o outro e o mundo que a cerca, e, pode prejudicar sua autoestima. Frases como "você é ruim", "você é preguiçoso" ou "você é burro", "você nunca vai encontrar alguém que te ame de verdade", são algumas das frases que podem causar um forte impacto emocional nas crianças. Além disso, a longo prazo, esses rótulos podem se tornar realidade o que acaba por se tornar uma profecia autorrealizável.

2. Superprotegendo

Os pais querem proteger seus filhos, é um instinto natural. O mesmo acontece com os avós com seus netos e é provável que irmãos ainda mais velhos com os mais novos. No entanto, uma coisa é cuidar da criança e outra completamente diferente é protegê-la constantemente. A criança que tem possibilidades limitadas de explorar o mundo e aprender por si mesma não é feliz e, eventualmente, se tornará um jovem inseguro, incapaz de tomar decisões por si mesmo e resolver seus próprios problemas.

3. Instilando o medo

As crianças não têm noção de perigo, mas essa não é uma razão válida para instilar medo de viver. É verdade que o papel dos pais e de outros membros da família é garantir a segurança e evitar acidentes desnecessários, mas isso não implica que familiares os impeçam de viver e explorar os arredores. Quando se é instilado medo do desconhecido e da vida, tornamo-nos uma pessoa insegura e medrosa, incapaz de estabelecer metas e assumir riscos.

4. Gerando culpa

Ter a responsabilidade de educar uma criança é uma tarefa difícil, mas isso não é desculpa para descarregar as frustrações nas crianças em casa. Há momentos em que os pais culpam seus filhos por não poderem terminar seus estudos ou jogam-lhes na cara o fato de não terem desfrutado de sua juventude interessante por terem que cuidar deles. Assim, a criança se torna a única responsável pela felicidade ou miséria da família. O problema é que, quando uma criança cresce com esse sentimento de culpa, é provável que acabe se tornando um adulto dependente da aprovação de outras pessoas, que não é capaz de tomar suas próprias decisões, adultos que vivem se sacrificando pelo outro para receber carinho e validação, entre outros.

5. Condicionando o amor

A família não apenas contribui para atender às necessidades das crianças, mas também como fonte de segurança e carinho. De fato, constitui um pilar fundamental para o equilíbrio emocional das crianças, principalmente nos primeiros anos de vida. Portanto, quando privamos um filho do amor ou condicionamos o amor a certos comportamentos ou realizações (mamãe só fica feliz quando você fala bem do que eu faço", "mamãe só gosta de você quando você faz os deveres da casa", "papai só gosta de você quando você não dá trabalho na escola", etc.), estamos transmitindo a ideia de que ele não é digno de ser amado. Obviamente, se a criança crescer pensando que não merece afeição e respeito dos outros, será uma pessoa insegura e retraída, que será revelada em seus relacionamentos pessoais.

O texto acima foi baseado em artigo publicado em: https://www.pensarcontemporaneo.com

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br

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