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Terça, 15 Junho 2021

Mau comportamento versus bom comportamento

Dra. Regiane Glashan*

Em meus atendimentos com pais a primeira coisa que eles perguntam é se eles estão errados quando, de alguma maneira, punem seus filhos para obter um bom comportamento.

Sabemos que crianças são crianças e a biologia humana as beneficiou com essa condição. Se elas são crianças, logo elas precisam de um adulto para lhes proteger, ofertar carinho, boa vinculação e discipliná-las com respeito e dedicação. É por meio da ação de seus cuidadores, que as crianças aprendem sobre elas, sobre o outro e sobre o mundo.

Se esses cuidados forem suficientemente bons, as crianças vão incorporar crenças boas sobre elas e sobre tudo que as rodeiam. Se as coisas são assim, como uma criança pode incorporar coisas boas sobre ela e sobre tudo a sua volta se no seu processo disciplinar e educativo existe espaço para formas variadas de punição e de desrespeito a dignidade humana.

Muitos pais valorizam os castigos, pois acreditam que eles corrigem o mau comportamento ou por que não aprenderam outras maneiras de educar. Na verdade, os castigos cessam o mau comportamento a curto prazo, mas a longo prazo eles falham. Falham por que não levam em conta o que está por trás do mau comportamento, ou seja, o que a criança está necessitando (ou pedindo) quando ela se comporta de maneira inadequada.

Por trás de um mau comportamento existe uma necessidade não atendida e a criança não tem desenvolvimento maturacional para pedi-la com uma frase curta e objetiva do tipo: "Mamãe estou cansada de esperar horas a consulta médica e na realidade estou com fome, cansada e querendo ir para casa descansar e ter seu carinho!".

Quando não entendemos a necessidade escondida sob o mau comportamento, corremos o risco de não só punir a criança por ser imatura como também deixar de ser um bom modelo de conduta para as crianças. Podemos numa situação como esta, gritar, esbravejar, punir, etc. e nos descompensarmos.

Quando isso acontece, perdemos nossa regulação emocional e queremos que nossa criança se autorregule com o nosso destempero. Não parece coisa de louco?

Não quero parecer fora da realidade e sei que educar um filho sem punir exige de nós muita atitude, tais como: buscar conhecimento sobre paternidade consciente (temos vários vídeos curtos sobre o assunto em nosso Instagram @terapeutadebebes_familia), persistência e paciência.

Para educarmos as crianças com carinho precisamos conhecer nossa criança interior, reconhecer nossas necessidades e boa inteligência emocional para lidarmos com nossas limitações, sentimentos e vulnerabilidades.

Todos nós queremos filhos bons, saudáveis, disponíveis para o mundo e com boa completude psicossocioemocional. Todavia, os métodos educacionais/disciplinares não podem ser baseados na chantagem, sermões, humilhações, ameaças, intolerância, inflexibilidade e etc. Se for assim, corremos o risco de criarmos crianças intolerantes e com pouca reserva empática para o mundo.

Assim, se quisermos obter o bom comportamento das crianças, precisamos sair do modo "Eu mando você faz ou então vai ser punido" para o modo "Eu entendo o desenvolvimento maturacional de meu filho e estou disponível para utilizar uma disciplina respeitosa, gentil e firme quando necessária!".

* Terapeuta Familiar - Casal - Individual, ênfase na relação mãe-bebê. Especialista-Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP, Fellow Universidade Pittsburgh - USA. Site: www.terapeutadebebes.com.br. Instagram: @terapeutadebebes_familia

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