Segunda, 23 Fev 2026

Atenção plena (mindfulness): O poder de estar inteiro no agora

Em um mundo marcado pela pressa, excesso de estímulos e hiperconexão, parar parece um luxo - ou até perda de tempo.

No entanto, é justamente nessa pausa consciente que encontramos uma das habilidades mais importantes para a saúde mental e cognitiva: a atenção plena, conhecida mundialmente como mindfulness.

A atenção plena é a capacidade de estar totalmente presente no momento atual, com consciência aberta e sem julgamentos. Parece simples, mas não é fácil. Nossa mente costuma oscilar entre lembranças do passado e preocupações com o futuro, raramente permanecendo no agora - que é onde a vida realmente acontece.

Praticar mindfulness não significa "esvaziar a mente", mas observar pensamentos, emoções e sensações com curiosidade, sem reagir automaticamente. É perceber a respiração, saborear um alimento com atenção, ouvir alguém com presença genuína ou reconhecer uma emoção sem se deixar dominar por ela.

Nas últimas décadas, a ciência tem investigado amplamente essa prática, comprovando seus benefícios. Estudos apontam que a atenção plena reduz níveis de estresse e ansiedade, melhora a qualidade do sono, fortalece a concentração e contribui para a regulação emocional. Protocolos terapêuticos baseados em mindfulness já são utilizados, inclusive, na prevenção de recaídas depressivas. A técnica também é indicada por terapeutas para pessoas com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Do ponto de vista neurológico, os impactos também são relevantes. Pesquisas com neuroimagem mostram aumento da atividade do córtex pré-frontal - área ligada ao autocontrole e à tomada de decisões -, além de redução da reatividade da amígdala, estrutura relacionada ao medo e ao estresse. Em outras palavras, a prática favorece respostas mais conscientes e menos impulsivas.

A atenção plena pode ser desenvolvida em qualquer fase da vida. Em crianças, exercícios lúdicos de respiração e percepção corporal auxiliam no autocontrole. Em adolescentes, ajudam no manejo da ansiedade e da sobrecarga digital. Em adultos, contribuem para o equilíbrio emocional diante das demandas profissionais. Já em idosos, estimulam funções cognitivas e presença nas atividades diárias.

Engana-se quem pensa que é preciso meditar por longos períodos. Pequenas práticas já produzem efeitos significativos. Reservar alguns minutos para observar a respiração, realizar atividades rotineiras com presença ou fazer pausas conscientes ao longo do dia são formas acessíveis de começar.

Grande parte do nosso tempo é vivida no "piloto automático": comemos sem perceber o sabor, ouvimos sem escutar, chegamos a lugares sem lembrar do caminho. Mindfulness surge como um antídoto para essa vida acelerada, resgatando profundidade nas experiências simples.

No fim, atenção plena é sobre qualidade de vida. Não acrescenta horas ao dia, mas acrescenta vida às horas. Porque a vida não acontece ontem nem amanhã. Ela acontece agora.

* A autora é Neuropsicopedagoga e Psicopedagoga Clínica, Pedagoga com Habilitação em Administração Escolar, Especialista em Intervenção ABA no Autismo e Deficiência Intelectual, Professora/Formadora em Educação Inclusiva, além de Coach Pessoal, Profissional e Líder Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e Analista Comportamental Disc pela Gestor Performance. Possui experiência de mais de 20 anos na área, atuando no âmbito escolar, clínico, empresarial. Contatos: E-mail: crissaraguci@hotmail.com. Instagram: @neuropsicocristianesaraguci. Facebook: @neuropsicocristianesaraguci. Site: www.cristianesaraguci.com.br

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