Quarta, 29 Jun 2022

Os riscos da exposição as telas na infância

Cristiane Fernandes Esteves Saraguci*

O uso de celulares, tablets e computadores é uma rotina diária na vida das pessoas. As crianças parecem já nascer sabendo utilizar os aparelhos, a facilidade que eles têm para manusear desde muito pequenos impressiona muitas pessoas.

A vida estressante dos adultos, a correria do dia a dia, principalmente nos grandes centros urbanos, faz com que alguns pais caiam na tentação de deixar as crianças entretidas em jogos e vídeos. Você certamente já presenciou diversas vezes cenas de adultos conversando enquanto as crianças estão hipnotizadas na tela do celular. E os pais agradecem esses minutos de paz!

É comum também observarmos mães alimentando os filhos enquanto ele está vidrado no celular. Afinal, se o objetivo é que a criança coma toda a comida e não reclame dos legumes, que mal deve haver nisso?

Ainda não existem estudos de longo prazo sobre o impacto do uso das telas por crianças, porém os estudos já indicam que o uso excessivo desses dispositivos tem causado prejuízos no desenvolvimento cognitivo, social e até no peso de crianças e adolescentes, uma vez que trocam as brincadeiras externas pelo sedentarismo, permanecendo sentados por mais tempo.

Como neuropsicopedagoga e educadora infantil, posso afirmar que durante a primeira infância, período que vai do nascimento até os 6 anos de idade, a criança inicia as interações sociais que são importantes para o seu desenvolvimento saudável. É nessa fase que ela explora o mundo a sua volta por meio de estímulos sensoriais como cheiro, contato visual e troca de afeto. Sendo assim, a superexposição a telas restringe as possibilidades de interação das crianças pequenas. A experiência da tela na primeira infância é uma atividade solitária, sedentária e passiva na maioria das vezes, o que definitivamente não é nada saudável e prejudica o desenvolvimento da criança.

Um outro ponto é o desenvolvimento da criatividade, para que a criança desenvolva a capacidade de agir sobre o mundo ela precisa ser convidada a transformar o real por meio de atividades criativas. O que vemos na internet são jogos e vídeos que, no geral, são tarefas dirigidas que restringem as respostas que utilizam a imaginação, bem distantes das brincadeiras infantis de faz de conta ou das interações sociais que estimulam a interação com uma realidade mais concreta.

O uso excessivo do aparelho também pode prejudicar o sono das crianças, esse é um fator de atenção, pois prejudica o desenvolvimento cognitivo.

Se não temos como impedir que as crianças tenham acesso as novas tecnologias, é importante que os pais e educadores orientem sobre os riscos para que seu uso não comprometa sua saúde e segurança. Uma decisão sensata é entrar em acordo com as crianças sobre o tempo de uso. Hoje em dia temos os controles de pai e mãe que ajudam bastante. E para as crianças muito pequenas, de até 4 anos, o ideal é não expô-las as telas, pois o impacto negativo em seu desenvolvimento é muito grande.

* A autora é Neuropsicopedagoga e Psicopedagoga Clínica e Institucional, Pedagoga especialista em Administração Escolar, Coach Pessoal, Profissional e Líder Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e Analista Comportamental Disc pela Gestor Performance. Possui experiência de mais de 20 anos na área, atuando no âmbito escolar e clínico, como também no mundo business como Coach, palestrante e desenvolvendo pessoas. Contatos: E-mail: crissaraguci@hotmail.com; Instagram: @neuropsicocristianesaraguci; Facebook: @conexãodoaprender e Blog: https://conexaodoaprender.home.blog/

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